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CAPTULO 30 
PONTUAO 
1 
PAUSAS RTMICAS * 
As pausas rtmicas, - assinaladas na pronncia por entoaes caractersticas e na escrita por sinais especiais -, so de trs espcie 
1) Pausa que no quebra a continuidade do discurso, indicativa que a frase ainda no foi concluda. Marcam-na: 

a vrgula   (,) 
o travesso   (-) 
os parnteses   ( ) 
o ponto e vrgula   (;) 
os dois pontos   (:) 


2) Pausa que indica o trmino do discurso ou de parte dele. Assin iam-na: 
o ponto simples 
o ponto pargrafo 
o ponto final 

3) Pausa que serve para frisar uma inteno ou estado emotivo. Mostram-na: 
o ponto de interrogao   (?)
o ponto de exclamao   (!)
as reticncias   (...)


* Esta sistematizao,  claro, no se destina a ser decorada. Visa antes a auxiliar o trabalho do professor, que aqui encontrar, j metodicamente dispostos, os 
principais casos relativos  matria. 
 



458 

VRGULA 
Usa-se a vrgula: 
1) Para separar os termos da mesma funo, assindticos. 
Exemplos: 
"(...) vieram os Goncourts, os Daudets, os Baudelaires, os Banvilies, os Zolas, os impressionistas, os naturalistas, os realistas, os simbolistas... imaginando, 
forjando, engendrando, importando, amalgamando, tumultuando, carreando, golfando para o vocabulrio, para a sintaxe, para a rua, para as letras, para a especulao, 
para o trabalho, para a vida uma torrente de formas inesperadas, cambiantes, revolucionrias..." (RUI BARBOSA) 
"Era o nada, a everso do caos no cataclismo, 
A sncope do som no pramo profundo,  O silncio, a algidez, o vcuo, o horror do abismo...." (OLAVO BILAC) 

Nota: 
Havendo a conjuno e entre os dois ltimos termos, suprime-se a vrgula: 
Sem pressa, sem pesar, sem alegria, 
Sem alma, o tecelo, que cabeceia, 
Carda, retorce, estira, asseda, fia, 
Dobra e entrelaa, na infindvel teia." (OLAVO BILAC) 


2) Para isolar o vocativo: 
"Deixe-me, senhora." (MACHADO DE Assis) 
" meu Amor, que j morreste, 
 meu Amor, que morta ests! 
L nessa cova a que desceste, 
O meu Amor, que j morreste, 
Ah! nunca mais florescers?!" (CRUZ E SousA) 

"Varrei os mares, tufo!..." (CASTRO ALVES) 

3) Para isolar o aposto: 
"Matias, cnego honorrio e pregador efetivo, estava compondo 
um sermo..." (MACHADO DE Assis) 
"Dou-te meu corao irreverente, 
Meus penachos de Cid, o Campeador..." (Jos OITICICA) 

459 

4) Para assinalar a inverso dos adjuntos adverbiais: 
"Por impulso instantneo, todo o ajuntamento se ps de p. 
(REBELO DA SILVA) 

Nota: 
Alis, sendo o adjunto adverbial de pouca longura, expresso, por exemplo, 
um simples advrbio, pode dispensar-se a vrgula, ainda que ele venlia desloca.

 
5) Para marcar a supresso do verbo: 
"Uma flor, o Quincas Borba." (MACHADO DE Assis) 
"Eu sou empregado pblico: 
Tu, minha noiva bem cedo. 
Eu sou Artur Azevedo; 
Tu s Carlota Morais." (ARTUR AZEVEDO) 

6) Nas datas: 
"Milo, 9 de maro de 1909." 
"Rio, 1 de junho de 1902." "31, janeiro, 1902." "Rio, 2-4-904." 
Nota: 
Os trs primeiros exemplos so de OLAVO BILAC, e o ltimo de Euclides da Cunha. Todos, de cartas a Coelho Neto. Observe-se que, invariavelmente, os nomes dos meses 
(maro, junho, janeiro) esto grafados com letra minscula. 
Tais cartas, primorosos modelos de epistolografia brasileira, esto publicadas na ntegra, no Manual de estilo, do professor Jos Oiticica (pp. 187 a 200). 

7) Nas construes em que o complemento do verbo, por vir anteposto a este,  repetido depois dele por um pronome enftico: 
"Arquiteto do mosteiro de Santa Maria, j o no sou." 
(ALEXANDRE HERCULANO) 
"Ao pobre, no lhe devo. Ao rico, no lhe peo." 
(RODRIGUES Lono) 
8) Para isolar certas palavras e expresses explicativas, corretivas, continuativas, conclusivas, tais como: 
por exemplo, alm disso, isto , a saber, alis, digo, minto, melhor, ou antes, outrossim, demais, entretanto, com efeito, etc 

9) Para isolar oraes ou termos intercalados: 
"A mim me parece, tornou Leonardo, que os ttulos  cousa Conveniente e necessria." (RODRIGuEs LOBO) 
460 

Nota: 
Se for muito longa a intercalao, ou quisermos dar relevo  palavra, expresso  ou orao intercalada, poderemos usar o travesso: 
'Vi a cincia desertar do Egito... 
Vi meu povo seguir - Judeu maldito - 
Trilho de perdio..." (CASTRO ALVES) 
Pode usar-se, ainda, os parnteses, e no a vrgula, quando a palavra, expresso  ou orao intercalada figurar sem relao sinttica com o resto, fora do fio principal 
do discurso,  maneira de um esclarecimento ou observao suplementar. 
Exemplos: 
'Pouco depois de transpor o porto da lgubre morada, veio a mim um amigo vestido de preto, que me apertou a mo. Tinha ido visitar os restos da esposa (uma santa!), 
suspirou e concluiu: - Que h de novo?" (MACHADO DE ASSIS)
 " o fim (rola o trovo...) da miseranda sorte..." (OLAVO BILAC) 

10) Para separar as oraes coordenadas assindticas: 
"H sol, h muito sol, h um dilvio de sol." (HERMES FONTES) 
"No aquieta o p, nem pode estar quedo; anda, corre, voa; entra por esta rua, sai por aquela; j vai adiante, j torna atrs; tudo enche, tudo cobre, tudo envolve, 
tudo perturba, tudo toma, tudo cega, tudo penetra..." (VIEIRA) 

11) Para separar as oraes coordenadas ligadas pela conjuno e, quando os sujeitos forem diferentes: 
"Aires Gomes estendeu o mosquete sobre o precipcio, e um tiro saudou o ocaso." (JOS DE ALENCAR) 
"Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se." (MACHADO DE ASSIS) 

Nota: 
Para acentuar, numa enumerao, o vulto das coisas enumeradas,  lcito empregar  repetidamente a conjuno e. Neste caso, as vrias palavras, expresses ou oraes, 
so separadas por vrgulas, apesar da presena do e. 
Exemplos: 
"Seca a terra aparece, e nela  tudo 
Informe, e rude, e solitrio, e mudo." (J. A. DE MACEDO) 
'E eu morrendo! e eu morrendo, 
Vendo-te, e vendo o sol, e vendo o cu, e vendo 
To bela palpitar nos teus olhos, querida, 
A delcia da vida! a delcia da vida!" (OLAVO BILAC) 

12) Para separar as oraes coordenadas ligadas pelas conjunes mas, seno, izem, que, pois, porque, ou pelas alternativas: ou... ou; 
ora.., ora,' quer... quer, etc. 
"No s filha, mas hspeda da Terra!" (OLAVO BILAC) 
461 
"No se deve julgar o homem por uma s ao, seno por 
tas." (CARNEIRO RIBEIRO) 
"Fiquem-se com o Senhor, que eu vou-me." (CASTILHO) 
"Ou o conhece, ou no." (VIEIRA) 

Nota: 
Quanto  conjuno mas, se for muito frisante o sentido adversativo,
 pode-se usar o ponto e vrgula. 
Exemplo: 
Defenda-se; mas no se vingue." (JOS OITICICA) 

13) Para isolar as conjunes adversativas porm, todavia, entretanto,
no entanto, contudo; e as conjunes conclusivas: logo, pois, portanto, "Contudo, ao sair de l, tive umas sombras de dvida..." 
(MACHADO DE Assis) 
"Nada diminua, portanto, as probabilidades do perigo e a poesia da luta." (REBELO DA SILVA) 

14) Para separar as oraes consecutivas: 
Exemplo: 
"(...) e o fulgor das pupilas negras fuzilava to vivo e por vezes 
to recobrado, que se tornava irresistvel." (REBELO DA SILVA) 

15) Para separar as oraes subordinadas adverbiais (iniciadas pelas conjunes subordinativas no-integrantes), quer antepostas, quer 
postas  principal. 
Exemplos: 
"Juro que ela sentiu certo alvio, quando os nossos olhos se  
encontraram..." (MACHADO DE ASSIS) 
"Enquanto o senhor escarneceu o feitio das minhas botas, e 
no seu ofcio e no seu direito. Das botas acima, no." (CAMILO 
CASTELO BRANCO) 

16) Para separar os adjetivos e as oraes adjetivas de sentido explicativo, ou, como lhes chama o professor Jos Oiticica, oraes 
adjetivas e adjetivos parentticos. 
" indispensvel, nesse caso, distinguir se a orao  mesmo parenttica ou meramente determinativa. A orao parenttica, em por seus caractersticos de forma e 
posio seja adjetiva, tem, no sentido, algo de adverbial, apontando vagamente a causa, a concesso, a condio. 
462 
"Exemplos: 
A cabroeira, alucinada, gritava atrozmente (isto : porque estava 
alucinada). 
A ele, que  o decano da corporao, nenhum preito lhe renderam (isto : apesar de ser o decano da corporao...). 
"O critrio para verificar isto  tentar a inverso. A orao parenttica pode ser anteposta ao substantivo a que se prende; a determinativa, nunca. Assim, temos: 
- Alucinada, a cabroeira gritava atrozmente. 
- Decano da corporao, nenhum preito lhe renderam." * 

17) Para separar as oraes reduzidas de gerndio, particpio e infinitivo. 
Exemplos: 
"Lactescente, a neblina oplica flutua, 
Diluindo, evaporando os montes de granito, 
Em colossos de sonho, extasiados de lua..." 
(GUERRA JUNQUEIRO) 
"Puma! ao fim da Renncia e ao fim da Caridade Chegaste, estrangulando a tua humanidade." (OLAVO BILAC)
 "A brisa, roando as grimpas da floresta, traz um dbil sussurro..." (JOS  DE ALENCAR) 
"Caindo o sol, a costureira dobrou a costura para o dia seguinte..." 
(MACHADO DE Assis) 
"Satisfeita a sede... e comidas umas colheres de farinha de mandioca ou de milho..., estira-se a fio comprido sobre os arreios desdobrados..." (VISCONDE DE TAUNAY) 
"Pera servir-vos, brao s armas feito; 
Pera cantar-vos, mente s Musas dada..." (CAMES) 
PONTO-E-VRGULA 
Emprega-se o ponto e vrgula: 
1) Para separar as vrias partes distintas de um perodo, que se equilibram em valor e importncia. 
* Jos Oiticica, Manual de estilo, 3 cd., Rio de Janeiro, 1936, pp. 68-9. 
463 

Exemplos: 
"Os pobres do pelo po o trabalho; os ricos do pelo po a fazenda; os de espritos generosos do pelo po a vida; os de nenhum esprito do pelo po a alma..." 
(VIEIRA) 
"O homem transfigura-se. Impertiga-se, estadeando novos relevos, novas linhas na estatura e no gesto; e a cabea firma-se-lhe, alta, sobre os ombros possantes, aclarada 
pelo olhar desassombrado e forte; e corrigem-se-lhe prestes, numa descarga nervosa instantnea, todos os efeitos do relaxamento habitual dos rgos; e da figura 
.vulgar do tabaru achamboado reponta, inesperadamente, o aspecto dominador de um tit acobreado e potente, num desdobramento inesperado de fora e agilidade extraordinrias." 
(EUCLIDES DA CUNHA) 
"(...) Slvio no pede um amor qualquer, adventcio ou annimo; pede um certo amor, nomeado e predestinado." (MACHADO DE ASSIS) 
"Foram divergncias profundas, casos de originalidade refratria ao meio identificador, os de Balzac, dos Goncourts, de Baudelaire, na literatura francesa; os de 
Carlyle, Meredith e de Poe, na lngua inglesa; o de Gregrio de Matos, nas letras brasileiras..." (XAVIER MARQUES) 
2) Para separar as sries ou membros de frases que j so interiormente separadas por vrgulas. 
Exemplo: 
"Uns trabalhavam, esforavam-se, exauriam-se; outros folgavam, 
descuidavam-se, no pensavam no futuro." (JLIO NOGUEIRA) 
3) Para separar os diversos considerandos ou os itens de uma lei, de um decreto, de uma exposio-de-motivos, etc... 
Exemplo: 
"Art. 12. Os cargos pblicos so providos por: 
1 - Nomeao; V - Readmisso; 
II - Promoo; VI - Reverso; 
III - Transferncia; VII - Aproveitamento." 
IV - Reintegrao; 
(Estatuto dos Funcionrios Pblicos, captulo 1, captulo 1.) 
464 


DOIS PONTOS 
Empregam-se os dois pontos: 
1) Antes de uma citao. 
Exemplo: 
"O projeto formula deste modo o art. 494: 
Se mais de uma pessoa possuir cousa indivisa, ou estiver no gozo do mesmo direito, poder cada uma exercer sobre o objeto comum atos possessrios..." (CARNEIRO RIBEIRO) 
2) Antes dos apostos discriminativos. 
Exemplos: 
"A sala... possua a moblia simples, costumeira, da vida rstica: o relgio de parede, a mandolina sobre a mesa, a espingarda num dos cantos, algumas cadeiras e 
bancos rudes para assento." 
(AFRNIO PEIxOTO) 
"Trs cousas me assombraram: terem eles embarcado em tal jangada, no haverem dito nada ao capito e, sobretudo, terem levado a pobre criana." (Jos OiticIcA) 
3) Antes de uma explicao ou esclarecimento. 
Exemplos: 
"O padre reza: a estola  de uma cor que chora: 
Roxa como a saudade astral dessas olheiras 
Onde correm de novo as lgrimas de outrora..." 
(ALPHONSUS DE GUIMARES) 
"Foi p e h de tornar a ser p? Logo  p. Porque tudo o que 
vive nesta vida no  o que :  o que foi, e o que h de ser." 
(VIEIRA) 
"Mostra. Abre as folhas: a gua rebrilhando 
L est..." (ALBERTO DE OLIVEIRA) 
4) Depois de um verbo dicendi (disse, perguntou, respondeu, acrescentou, etc...), em frases de estilo direto: 
465 
Exemplos: 
"Quando, num dia calmo, eu vim ao mundo, Minha me, santa e nobre flor de lis, 
Disse olhando os meus olhos bem no fundo: 
- 'Meu filho, hs de ser bom e ser feliz!" 
(OLEGRIO MARIANO) 
"Algum te disse: - Reza.  bom para que esperes." 
(ALPHONSUS DE GUIMARENS) 
"Ontem, na tarde loura de aquarela, 
Algum me perguntou: 'Como vai ela? 
Como vai teu amor?' - Eu respondi: 
'No sei. Uma mulher passou na minha vida... No me lembro...' E, nessa hora comovida, Como nunca lembrava-me de ti!" (MENOTTI DEL PICCHIA) 
"Bradei: - 'Que fazes ainda no meu crnio?" 
(AUGUSTO DOS ANJOS) 
PONTO SIMPLES, PARGRAFO E FINAL 
1) O ponto simples  usado: 
a) Nas abreviaturas: 
V. Ex 
Sr. 
D.F. 
b) No final das oraes independentes: 
"Faz frio. H bruma. Agosto vai em meio." 
(VICENTE DE CARVALHO) 
No final de cada orao ou perodo que, associados pelo sentido 
representarem desdobramentos de uma s idia central - sem
mudana sensvel, portanto, do teor do conjunto: 
"Clido, o estio abrasava. No esplendor custico do cu imaculado, o sol, dum brilho intenso de revrbero, parecia girar vertiginosamente, espalhando raios em torno. 
Os campos amolentados, numa dormncia canicular, recendiam a coivaras.. 
(COELHO NETO) 
466 
2) O ponto pargrafo, ao contrrio,  de rigor quando, concluda uma unidade de composio, se vai iniciar outra de teor diferente: 
"A melhor e mais sbia atitude do homem, neste mundo que no  seu nem foi feito para ele,  aquela avisada tolerncia recomendada pelo poeta do Rubayat. O vinho 
no copo, a mulher amada entre os braos e uma rvore frondosa protegendo-lhe a paz, eis o que todo homem deseja, inconscientemente. Quem  feliz, ou quem se esquece 
de que  infeliz, acha sabor na vida, um sabor um tanto acre, sem dvida, mas assim mesmo capitoso. 
Ns complicamos o problema da existncia com uma nuvem de palavras douradas e outra nuvem de lembranas teimosas e mortificadoras. Palavras inteis e lembranas 
insopitveis, so como as trepadeiras que se enrolam, preguiosamente, ao longo dos troncos robustos. Do, por vezes, alguma flor menos mofina, mas s o tronco sabe 
quanto lhe custou aquele formoso luxo. Todas as nossas idias apriorsticas sobre a natureza do bem e do mal, todas as nossas construes metafsicas so como as 
flores daquela trepadeira. Quanto mais coloridas, tanto mais dolorosas... 
Devemos fazer da vida um motivo de alegria e de sade, sem, 
contudo, nos entregarmos aos impulsos da sensao pura, ao gozo 
brutal do momento que passa." (RONALD DE CARVALHO) 
Nota: 
O resto da linha depois do ponto pargrafo fica em branco, iniciando-se o outro 
perfodo na linha abaixo, com um pequeno recuo de margem. 
3) O ponto chama-se final quando com ele se encerra definitivamente o trecho. 
Nota: 
Nas cartas, requerimentos, ofcios, relatrios, etc... varia o uso das notaes depois do vocativo inicial. Ora figura o ponto simples, ora dois pontos, ora a vrgula 
e, com freqncia, nota-se, ate, a ausncia de qualquer pontuao. 
Eis vrios exemplos, extrados da seo 'Correspondncia de escritores', de 'Autores e livros', suplemento literrio do jornal A manh: 
a) Com ponto simples: 
"Ext" Senhor e prezado colega." 
(Carta de Ea de Queirs a Machado de Assis, vol. 1, 108.) 
"Meu caro Joo Ribeiro." 
(Carta de Machado de Assis, idem, ibideni.) 
b) Com dois. pontos: 
'Querida irm:" 
(Carta de Casimiro de Abreu  sua irm Albina, vol. 1, 152.) 
c) Com vrgula: 
'Extm Sr. Machado de Assis," 
(Carta de Francisco de Castro, vol. 1, 133.) 
4bI 
d) Sem qualquer notao: 
"Graa Aranha" 
(Carta de Euclides da Cunha, vol. III, 70.) 
"Sampaio" 
(Carta de Artur Azevedo, vol. 1, 167.). 
Na redao oficial,  de uso mais freqente o emprego dos dois pontos. 
Excelentssimo Senhor Presidente da Repblica: 
Sr. Diretor: 
PONTO DE EXCLAMAO 
1) Usa-se depois de qualquer palavra, expresso ou frase, na com entoao apropriada, se indique espanto, surpresa, 
susto, clera, piedade, splica. 
Exemplos: 
"Sim! Quando o tempo entre os dedos 
Quebra um sculo, uma nao, 
Encontra nomes to grandes,
 Que no lhe cabem na mo!" (CASTRO ALVES) 
- Me, sangue, sangue!" (RAUL POMPIA) "Tem pena de mim!" (LVARES DE AZEVEDO) 
2) Emprega-se, tambm, depois das interjeies e dos vocativos intensivos. 
Exemplos: 
"Ah! Cumpra-se o fadrio que me espera..." (Lus CARLOS) 
"Oh! Se Carlos soubesse..." (JLIo DINIs) 
"Andrada! arranca esse pendo dos ares! 
Colombo! fecha a porta dos teus mares!" (CASTRO ALvEs) 
Nota: 
A interjeio de espanto (oh!), que se escreve com h,  sempre seguida do ponto 
de exclamao. 
J a interjeio de apelo (), no o admite depois de si: a notao vem s depois 
do vocativo. 
Exemplos: 
 meu filho, meu filho! replicou frei Hilario." (ALEXANDRE HERcULANO) 
'Ergue-te,  Radams,  meu vassalo!" (Lus DELFINO) 
468 
PONTO DE INTERROGAO 
Usa-se nas interrogaes diretas e nas indiretas livres. Depois de 
palavras, expresses ou frases, marcadas, na pronncia, por entoao 
ascendente. 
"- Ento? Que  isso? Desertaram ambos?" (ARTUR AZEVEDO) 
"Acaso as almas poderei sem custo 
Ver, perspcuo e melhor, s quando odeio? 
E  preciso odiar para ser justo?" (RAIMUNDO CORREIA) 
"Dona Tonica confessava-lhe que tinha muita vontade de ver 
Minas, principalmente Barbacena. Que tais eram os ares?" 
(MACHADO DE Assis) 
Nas interrogaes indiretas puras, no h sinal grfico, nem entoao ascendente. 
Exemplo: 
"No  fcil sondar o que as geraes futuras ho de pensar sobre os escritores e os poetas de hoje." (Mcio LEO) 
Nota: 
As vezes, aparecem juntos o ponto de interrogao e o de exclamao, quando 
h concomitantemente entoao interrogativa e exclamativa. 
Exemplo: 
"Porque para este cemitrio vim?! 
Porqu?! Antes da vida o angusto trilho 
Palmilhasse, do que este que palmilho 
E que me assombra, porque no tem fim!" (AUGUSTO DOS ANJOS) 
RETICNCIAS 
Empregam-se as reticncias: 
1) Para indicar, nas citaes, que foram suprimidas algumas palavras. Isto acontece quando, transcrevendo um trecho longo, no o apresentamos integral; omitimos 
o que no interessa imediatamente aos nossos propsitos. 
469 
Usadas no incio da citao, servem de mostrar que o lano transcrito pertence a uma frase que no foi copiada desde o princpio. Por 
isso, comea-se com letra minscula. 
Usadas no fim, so sinal de o termo da citao no coincidir com 
o fim da frase de onde ela foi tirada. 
Exemplos: 
"Lehrus, galgos, podengos e toda a demais cainalha patrulha 
vam, noite e dia, por morros e devesas." (RUI BARBOSA) 
Se, por acaso, quisssemos abonar o coletivo cainalha com um 
exemplo de Rui Barbosa, poderamos, em vez de transladar o trecho 
inteiro, escrever somente assim: 
". . . cainalha..." (RUI BARBOSA, Coletnea literria, 3 ed So Paulo, p. 272). 
Ou desta forma, dando sentido  frase: 
"...galgos... e toda a demais cainalha patrulhavam.., por moi 
ros..." (Rui BARBOSA, idem, ibidem). 
2) Para indicar uma interrupo violenta da frase, que fica truncada ou incompleta. 
Exemplos: 
"- Trinta e oito contos, disse ele. 
- Am?... gemeu o enfermo. 
O sujeito magro aproximou-se da cama, pegou-lhe na mo sentiu-a fria. Eu acheguei-me ao doente, perguntei-lhe se sentia 
alguma cousa, se queria tomar um clice de vinho. 
- No... no quar... quaren... quar... quar... 
Teve um acesso de tosse, e foi o ltimo; da a pouco expirava ele, com grande consternao do sujeito magro, que me confessou depois a disposio em que estava de 
oferecer os quarenta contos; mas era tarde." (MACHADO DE Assis) 
3) Para indicar, no corpo da frase, pequenas interrupes que mostram hesitao, ou dvida, ou fatos que se sucedem espaadamente 
Exemplos: 
"- Ento veio muito tarde? 
470 
- Julgo que... s duas horas... balbuciou Jenny." (JLIO DINIS) 
"- Este mal... pega, doutor?" (ALFREDO TAUNAY) 
"- Vamos, eu gosto muito de estalar balas como senhor... bem... 
puxe!" (MANUEL DE MACEDO) 
4) Para indicar, no fim de uma frase gramaticalmente completa, que o sentido vai alm do que ficou dito. Tm as reticncias larga vida na poesia, pelo seu grande 
poder de sugesto. 
Exemplo: 
"Olha a vida, primeiro, longamente, enternecidamente Como quem a quer adivinhar... 
Olha a vida, rindo ou chorando, frente a frente, 
Deixa, depois, o corao falar..." (RONALD DE CARVALHO) 
5) Para indicar que o pensamento enveredou por caminho imprevisto, inesperado, decaindo, geralmente, para o chiste ou para a ironia. 
Exemplo: 
"Quanto moo elegante e perfumado 
Que anda, imponente, de automvel.., fiado, 
Porque lhe faltam nqueis para o bonde!" (BASTOS TIGRE) 
Nota: 
Conjugam-se as reticncias com o ponto de interrogao (?...) e com o de exclamao (!...), quando, num dos casos citados, h dvida ou espanto. 
471 
RUDIMENTOS DE ESTILSTICA 
E POTICA 
1 
4 
